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Minas Gerais vira alvo estratégico de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Segundo maior colégio eleitoral do país, estado funciona historicamente como um microcosmo decisivo para o resultado nacional.

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Estado 'espelho' do Brasil, MG entra no foco das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para o 2º turno

Considerado um verdadeiro “espelho” do Brasil, o estado de Minas Gerais entrou de vez no centro das atenções das estratégias presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para a disputa do segundo turno.

A disputa pelo segundo maior colégio eleitoral do país

Enquanto o candidato do PT tenta reverter o cenário e buscar a vitória em solo mineiro — onde registrou 48,29% dos votos válidos na primeira etapa —, o representante do PL trabalha para ampliar a vantagem conquistada no último dia 4 de outubro, quando terminou à frente com 48,24% contra 43,33% do adversário. Para alcançar o eleitorado, os dois lados apostam na força de lideranças políticas locais e em intensa movimentação popular tanto nas ruas quanto nos ambientes digitais.

Historicamente, a importância do território mineiro vai muito além dos números absolutos. “O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. […] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos”, afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

Mapas eleitorais divididos e o desafio das abstenções

Apontado por analistas como um “estado pêndulo” devido à alternância de preferência política nas últimas três décadas, Minas Gerais apresentou uma taxa expressiva de abstenção no primeiro turno, atingindo cerca de 22% do eleitorado, o equivalente a 3,7 milhões de ausências.

As geografias do voto também revelam frentes distintas para cada candidatura. “Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás”, avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A movimentação dos candidatos no estado

Em sua primeira viagem a Minas após o pleito inicial, Lula passou por Juiz de Fora — única cidade entre as dez maiores do estado onde o petista venceu no primeiro turno — e também esteve em Ipatinga, no Vale do Aço. A campanha do ex-presidente conta com o reforço de nomes fortes da base progressista, como a senadora eleita Marília Campos e parlamentares com forte atuação nas redes sociais.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro marcou presença em municípios como Capelinha, acompanhado por aliados de peso como o senador Domingos Sávio e o deputado federal Nikolas Ferreira. A legenda bolsonarista também aculoa o apoio do governador eleito Cleitinho Azevedo, que tem utilizado suas plataformas digitais para impulsionar a candidatura do presidenciável.

O peso dos apoios políticos e atos públicos

Embora a presença de cabos eleitorais ajude a dar capilaridade aos palanques, especialistas ressaltam que o sucesso da empreitada depende da conexão real com os eleitores. “A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas”, pontuou Felipe Nunes.

As ruas de várias cidades mineiras têm sido tomadas por manifestações organizadas por simpatizantes de ambas as correntes políticas, servindo tanto para energizar a militância quanto para gerar material de engajamento na internet. No balanço geral das urnas mineiras em outubro, embora tenha triunfado em 452 dos 853 municípios, Lula ficou atrás no somatório total de votos para Flávio Bolsonaro, que liderou em 401 cidades e dominou praticamente todos os grandes centros urbanos do estado.

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