Partidos do Centrão estão em articulação para pautar ainda este ano uma reforma nas regras de votação do país. O objetivo central é tentar conter a perda contínua de espaço político para legendas do campo conservador, com foco especial no desempenho expressivo do PL.
O impacto do crescimento do PL
A urgência no debate ganhou força após o desfecho das eleições legislativas, momento em que a legenda ligada ao senador Flávio Bolsonaro garantiu 121 assentos para a próxima legislatura, configurando a maior bancada registrada na Casa desde 1988.
No atual formato proporcional, o total de vagas de cada legenda é definido pelo somatório de votos obtidos. Dinâmicas em que parlamentares com votações massivas — a exemplo de Nikolas Ferreira — acabam elegendo colegas com menor expressão por meio do mecanismo dos puxadores de votos motivaram encontros recentes entre lideranças partidárias e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Divergências internas e sobrevivência política
Durante as negociações, dirigentes definiram apoio à recondução de Motta ao comando da Casa e debateram a necessidade de autosobrevivência frente ao avanço do PL sobre as cadeiras tradicionais. Parlamentares apontam que o modelo vigente estimula uma verdadeira indústria de candidatos.
Apesar da pressa de alguns deputados em votar o tema antes de 2027 — período em que a bancada ampliada do PL tende a impor maior resistência —, a falta de consenso impera. Cada sigla defende uma alternativa própria, gerando conflitos até mesmo entre presidentes partidários e suas respectivas bases.
Um parlamentar presente nos encontros resumiu o ceticismo geral sobre um acordo rápido: “Não acredito em mudança no sistema eleitoral. Ali cada um tem uma ideia diferente”, declarou sob reserva.
Modelos em discussão na Câmara
Atualmente, duas propostas principais dominam as negociações no parlamento:
- Distrital misto: Defendido por presidentes partidários, divide os estados em distritos. Metade das vagas vai para os mais votados localmente, enquanto a outra metade utiliza listas partidárias fechadas. Um projeto de lei sobre o tema já tramita na Casa.
- Distritão: Apoiado por parte dos deputados e pelo Podemos, transforma o pleito em majoritário, elegendo apenas os mais votados e eliminando os puxadores. O modelo encontra forte resistência das cúpulas partidárias por reduzir o poder dos partidos e favorecer candidatos influencers, além de exigir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Próximos passos e articulação com o Senado
A agenda de negociações prevê novos encontros entre líderes aliados a Hugo Motta na residência oficial da Presidência da Câmara para estruturar um texto base. Posteriormente, conversas ampliadas com presidentes de legendas e com o deputado Domingos Neto, relator do projeto sobre o modelo distrital misto, devem avançar.
Para evitar o esvaziamento de propostas em tramitação — cenário comum em tentativas passadas —, parlamentares defendem a inclusão precoce do Senado Federal e do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, nas tratativas para assegurar um entendimento bicameral sólido.





